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Rio - O segredo do Carnaval 2006 é não esconder o favoritismo da Beija-Flor para conquistar o inédito tetracampeonato no desfile do ano que vem. Na noite de segunda-feira, durante a festa de lançamento do CD do Grupo Especial em Nilópolis, o presidente da Liesa, Aílton Guimarães Jorge, soltou uma declaração bem humorada: "Espero que a festa do CD do Carnaval 2007 seja aqui na quadra da Beija-Flor", afirmou o presidente da Liga, que na final de samba-enredo da Mangueira anunciou que era um desejo das 13 escolas do Grupo Especial e da Liga impedir o título da Beija-Flor em 2006. "A Beija-Flor faz um excelente trabalho com a comunidade e a tarefa das outras escolas será árdua. Essa disputa tornará o Carnaval 2006, o mais concorrido de todos os tempos. Essas declarações estimulam a competição", apontou Aílton Guimarães Jorge. Agora, a declaração do presidente da Liga ganhou um ajudante inesperado. O carnavalesco Laíla, integrante da Comissão de Carnaval da Beija-Flor, que durante os títulos do tricampeonato preferiu esconder o favoritismo, mudou de lado e admitiu a supremacia da agremiação de Nilópolis, mesmo com um enredo patrocionado pela cidade mineira de Poços de Caldas. "As outras escolas precisam fazer excelente carnaval, senão seremos tetra. Estão querendo gritar que somente com o samba serão vencedoras, mas isso não existe. Temos um samba bem trabalhado na melodia e letra. Dentro da Avenida não tenho medo de nenhum samba de outra escola", desabafou Laíla. O favoritismo da Beija-Flor não foi aceito e criou polêmica entre as escolas. "A Mangueira tem um enredo sobre o rio São Francisco e samba que é a sua cara. Levantamos o público na quadra da Beija-Flor e não estamos fora da briga", comentou o presidente da Verde e Rosa, Álvaro Caetano, que durante a apresentação subiu no palco e cantou ao lado do intérprete Rixxa. Jamelão se poupou e ficou no camarote. "Vamos desfilar na segunda-feira e seremos a segunda na ordem de apresentação. É posição ideal para Mangueira", afirmou o presidente, que relembrou a última conquista da agremiação em 2002, onde a escola desfilou na mesma ordem que terá em 2006. Quem também não gostou da declaração do carnavalesco da Beija-Flor foi a Unidos da Tijuca. A escola bi vice-campeã do carnaval conta com a critividade do carnavalesco Paulo Barros para surpreender e ganhar o sonhado campeonato para a comunidade do Borel. E as surpresas já começam a ser desvendadas na Tijuca. Para falar sobre a música, a agremiação terá uma alegoria com 80 pessoas que representará uma grande discoteca. "Nosso samba é animado, a comunidade é forte e a bateria é pura cadência. Preenchemos todos os pré-requisitos para o título", contou o presidente Fernando Horta. Durante a festa de lançamento do CD do Grupo Especial, a grande surpresa foi a presença da bateria e dos mestres de todas as agremiações. Nos anos anteriores, a festa era realizada com o aúdio dos sambas através do playback. "Foi um pedido de todos os sambistas. Hoje sentimos o que será o desfile. Ouvimos o coração da escola, que é a bateria", comentou Elmo José dos Santos, diretor de carnaval da Liga. Como a festa foi fechada para convidados, as agremiações levaram 15 componentes para o palco e na bateria de 100 ritmistas houve um revezamento entre as escolas. O movimento das rainhas e madrinhas de bateria foi fraco. Somente Viviane Araújo da Mocidade, Solange Gomes da Porto da Pedra e Adriana Perrett da Vila Isabel compareceram. O presidente da Caprichosos de Pilares, Paulo de Almeida, tratou de explicar a ausência de Luma de Oliveira, rainha da bateria. "Ela é a rainha e decide quando aparece. Já combinei com ela, que a sua apresentação para o Carnaval 2006 acontecerá somente em janeiro", revelou. Entre as novidades do CD do Grupo Especial para 2006, que já está à venda nas lojas com um preço de R$ 19,90, está o andamento ou velocidade na execução das músicas. O ritmo está bem cadenciado e chega a atrapalhar o samba, como é o caso da Porto da Pedra. "É lamentável. O samba ficou lento. Não será dessa forma que vamos apresentar na Sapucaí", comentou Uberlan Oliveira, presidente da escola de São Gonçalo. Zacarias Siqueira, responsável pela gravação do CD, justificativa o andamento dos sambas no disco. "É para ser apreciado, como quem se delicia com o paladar de um bom vinho. Na Avenida, as escolas colocam outro andamento, porque precisam acelerar para desfilar no tempo certo", explicou. Fonte: Alberto João - site www.odia.com.br |